A criança é o único stakeholder que não pode responder a um email.
À volta de uma criança neurodivergente orbita uma pequena constelação de adultos — pais, um professor, um coordenador de educação especial, um terapeuta ocupacional, por vezes um terapeuta da fala, por vezes um pediatra. Cada um tem um fragmento da imagem. Cada um comunica com os outros por email, grupos de WhatsApp, relatórios em papel e PDFs trocados em três apps. A criança é o único stakeholder sem voz em nenhum desses tópicos.
O briefing era dar à criança um único registo que os adultos à volta pudessem co-editar com responsabilidade. Não uma app de chat. Não um CRM. Mais próximo de um dossier partilhado onde cada papel tem permissões estruturadas, cada alteração é auditável, e os dados da criança pertencem inequivocamente ao pai/mãe.
A arquitectura tinha de sobreviver ao stakeholder mais fragmentado do sistema: a escola. O que significa funcionar sem apoio de IT, sem single sign-on, sem ninguém a ler documentação.
