Há muitas formas de escolher mal uma agência digital. A mais comum é deixar-se impressionar pelo portefólio em vez de perguntar como o trabalho realmente acontece.
Este artigo é sete perguntas concretas para fazer a qualquer agência antes de assinares uma proposta. Não são perguntas armadilha. São perguntas onde uma resposta vaga é o sinal de alerta principal. Boas agências respondem-nas em segundos com especificidade. Más agências respondem com generalidades.
1. Quem vai escrever o conteúdo do site?
Esta é a pergunta que mais agências evitam responder cedo, e que mais clientes desconhecem ser crítica.
Boa resposta: "Vamos discutir isso na chamada de descoberta. Há três opções — entregas-nos conteúdo, nós escrevemos com base no que nos dás, ou contratamos um copywriter especializado. Cada uma tem um custo diferente. Recomendamos a opção X para o teu caso, e está orçamentado em Y."
Resposta de alerta: "O conteúdo vem depois. Concentramo-nos primeiro no design." Significa que design feito antes de conteúdo, ou seja, decoração com texto de encheção em latim. O resultado é tipicamente um site bonito a precisar de re-trabalho de copy antes de poder ser lançado.
2. Que stack vão usar, e porquê?
Pergunta directa, espera resposta directa.
Boa resposta: "Vamos usar X (ex.: Next.js, Astro, WordPress com bloco custom), por estas razões: A, B, C. Esta escolha custa-te Y em manutenção a longo prazo, contra Z numa outra stack. Não recomendamos W para o teu caso porque..."
Resposta de alerta: "Usamos o que faz sentido para o teu projecto." Tradução: usamos o que conhecemos, que é provavelmente WordPress por inércia. Se a agência não consegue articular porque prefere uma stack, é porque a escolheu sem pensar.
Pergunta de seguimento útil: "Que outras stacks consideraram, e porque não as escolheram?" Se não conseguem nomear pelo menos duas alternativas, falta-lhes contexto técnico.
3. De quem é a propriedade do código, domínio, e conteúdo?
A resposta esperada é simples: tua. Sempre.
Boa resposta: "Tudo na tua conta desde o primeiro dia. Código no teu GitHub. Domínio na tua conta de registar. Conteúdo no teu CMS. Credenciais de hosting na tua conta. Se em qualquer momento quiseres deixar de trabalhar connosco, ficas com tudo e podes contratar outra agência sem problemas."
Resposta de alerta: "Nós tratamos da infraestrutura por ti." Tradução: ficas refém. Se um dia quiseres sair, vais descobrir que o domínio está registado na conta da agência, que o repositório é privado e fechado, que o hosting está numa subconta partilhada com outros 30 clientes.
Pede sempre por escrito, na proposta: "Toda a propriedade — código, domínio, conteúdo, credenciais — é do cliente desde o dia um." Se a agência hesita em escrever isto, não assines.
Propriedade é o ponto onde mais clientes ficam armadilhados a posteriori. Resolve isto antes de qualquer outra discussão.
4. O preço inclui SEO técnico, ou é serviço extra?
Existe uma prática má, comum em Portugal, de entregar sites tecnicamente fracos (sem schema, sem sitemap em condições, sem performance optimizada, com meta tags genéricas) e depois vender "SEO" como serviço adicional.
Boa resposta: "SEO técnico é parte do site, não um add-on. Cada página tem meta title e description únicas, schema.org apropriado, sitemap dinâmico, robots.txt configurado, Core Web Vitals optimizados, hreflang se aplicável. Está incluído no preço."
Resposta de alerta: "SEO é um serviço separado que oferecemos depois do lançamento." Tradução: vais ter de pagar duas vezes — uma pelo site, outra para o tornar minimamente encontrável. Em 2026, isto não é aceitável. Falámos disto no artigo sobre schema.org — schema é trabalho de minutos por página, não de horas.
5. Como funciona a manutenção pós-lançamento?
Sites não são acabados no dia do lançamento. Há actualizações, fixes, pequenas mudanças.
Boas respostas (qualquer uma delas):
- "Oferecemos avença mensal de €X/mês que cobre [lista específica de coberturas]."
- "Trabalhamos a horas, €Y/hora, mínimo de fracção 30 minutos, factura mensal."
- "Não fazemos manutenção contínua. Recomendamos que contratem internamente ou com outra agência. Entregamos o repositório bem documentado."
Todas válidas. O que importa é que a resposta seja específica e em condições.
Resposta de alerta: "Vemos isso conforme as necessidades." Tradução: vão facturar caso a caso a preços que decidem na altura. Vais ter surpresas.
6. Quem é o ponto de contacto único do meu lado?
Quando vais precisar de uma resposta a uma pergunta, queres saber a quem perguntar.
Boa resposta: "Eu próprio sou o teu ponto de contacto desde a chamada de descoberta até depois do lançamento." (Numa agência boutique.) Ou: "O João é o teu account manager, garantido por contrato. Se ele sair, tens direito a transição supervisionada." (Numa agência maior.)
Resposta de alerta: "Falas com a pessoa relevante para cada momento — designer, developer, marketing." Tradução: vais ter de explicar o teu contexto a 4 pessoas diferentes em momentos diferentes. Cada explicação custa-te tempo, e cada interface humana é um ponto de quebra.
7. Posso ver 3 projectos que entregaram, todos em produção?
Portefólios bonitos são fáceis de fabricar. Projectos em produção, accessíveis, com tráfego real, são a única evidência válida.
Boa resposta: "Aqui estão três URLs públicos. Cada um corre desde [data]. Podes ver o site real, podes contactar os clientes (links abaixo). Se quiseres falar com 1 ou 2 deles directamente, com prazer fazemos a apresentação."
Resposta de alerta: "Temos vários casos no nosso portefólio. Posso enviar mockups." Tradução: alguns projectos podem nunca ter sido lançados, ou os clientes não querem ser nomeados, ou — pior — os sites já não estão online porque foram mal mantidos.
Olha cada projecto referenciado:
- O site ainda existe e funciona?
- Há quanto tempo está online?
- O site corre rápido (testa em pagespeed.web.dev)?
- Tem schema.org bem implementado (testa em search.google.com/test/rich-results)?
- Os textos foram realmente escritos para esse cliente, ou são templates traduzidos?
Bónus: a pergunta mais reveladora
Se queres um teste rápido para qualquer agência:
"Em que situação é que recomendariam uma agência que não fossem vocês?"
Resposta boa: "Para projectos enterprise com mais de 50 utilizadores internos e integração SAP, recomendamos X. Para e-commerce com mais de 10.000 SKUs, recomendamos Y. Para sites em quotas governamentais ou bancárias, recomendamos Z."
Resposta de alerta: "Fazemos tudo." Tradução: ou não há auto-conhecimento (perigoso) ou há vontade de pegar em qualquer projecto sem pensar (mais perigoso).
Profissionais sérios sabem o que não fazem.
A nossa resposta às mesmas 7 perguntas
Por uma questão de coerência, eis como respondemos exactamente:
- Conteúdo: tu, nós, ou copywriter externo — escolha tua, com orçamento explícito em cada caso.
- Stack: Next.js + Tailwind + headless CMS quando faz sentido. WordPress não fazemos para projectos novos. Razões na nossa página de Design Web.
- Propriedade: tudo teu, sempre. Por escrito na proposta.
- SEO técnico: incluído no preço. Sempre.
- Manutenção: avença mensal opcional, ou trabalho a horas. Discutimos qual faz sentido.
- Ponto de contacto: eu próprio. Black Bean é boutique solo, com colaboradores especialistas para necessidades específicas.
- Portefólio: 10 projectos no nosso portefólio, todos em produção, todos com URLs públicos.
E à pergunta bónus: para projectos enterprise com integrações SAP, recomendamos colegas de agências maiores. Para portais governamentais e bancários, não somos a melhor escolha. Para tudo o resto — sites institucionais, plataformas média complexidade, ferramentas SaaS, e-commerce até 500 SKUs, conteúdo + SEO — somos exactamente a escolha certa.
Pronto para uma chamada de descoberta? Fala connosco. 24h de resposta garantidas.